terça-feira, 16 de março de 2010

Apiterapia

Veneno do bem

Um homem chega de branco carregando esperança de cura em uma pequena maleta. Mas Luiz Pereira da Silva, o Tim, não é doutor. Uma vez por semana, sai de Minas Gerais para oferecer medicamento vivo aos pacientes que lotam o consultório improvisado no Rio de Janeiro. Ninguém parece ter medo delas. O veneno das abelhas é o remédio em um tratamento simples e dolorido.

Muitos recorrem à apiterapia para combater doenças graves, como a esclerose múltipla, que vai paralisando os movimentos do corpo. Tifany Fiks tem apenas 22 anos. Desde os 14 sofre com a inflamação da medula. Uma vacina contra a meningite provocou o desequilíbrio do sistema imunológico, que passou a agir contra o organismo. Os efeitos são parecidos com os da esclerose múltipla, e os médicos dizem que não há cura.

Lutando contra a paralisia, Tifany já tentou tratamentos convencionais, que não deram resultado. Só as ferroadas fazem o corpo reagir.

“Dói, mas eu acho que eu sou uma das mais resistentes. O que é a dor comparado a ficar curado? A cura não tem preço. Se ele disser que vai me trancar no banheiro com cinco mil abelhas, eu aceito”, diz a jovem.

Foi o neurologista de Tifany que indicou a apiterapia. A medicina já descobriu que o veneno da abelha tem 67 substâncias. Algumas delas ajudam a equilibrar o sistema imunológico e também estimulam o corpo a produzir cortisona, um antiinflamatório natural. Segundo o médico Luís Fernando de Mello Campos, que pesquisa o assunto, o tratamento com o veneno funciona em doenças como a artrite reumatóide, a própria artrite, e principalmente a esclerose múltipla.

“Funciona em alguns casos, para algumas doenças, em algumas pessoas, em algumas circunstâncias. Não é um remédio pra todo mundo usar em qualquer situação, em qualquer doença, porque pode haver um choque alérgico. Já houve casos de infarto do miocárdio de pessoas usando veneno de abelha”, alerta o médico.

Tim recolhe o remédio produzido pela natureza em um laboratório a céu aberto. As colméias ficam em um pequeno sitio, em Juiz de Fora. Não são abelhas agressivas, mas, como no local ninguém precisa de tratamento, ele avisa: é bom proteger a cabeça, pelo menos.

“Para paralisar os agressores, elas procuram os olhos, a boca, o nariz, as orelhas e as articulações inferiores”, explica.

A intimidade que ele mostra com as abelhas vem de longe. Desde a adolescência, Tim está entre elas. Primeiro como criador, para produzir mel.

“Eu cuido delas como se tivesse cuidando de um filho, de um irmão, de um amigo”, conta.

Depois de um acidente em que fraturou três vértebras e ficou seis meses imobilizado, Tim recebeu a dica de um médico amigo: as abelhas poderiam ajudá-lo a recuperar os movimentos. Ele conta que entrou na colméia e se deixou picar mais de 60 vezes.

“Não sei precisar, mas acho que depois de 15 ou 20 dias comecei a sentir os movimentos melhores, a sentir mais a perna, que antes estava dormente. Não fiz cirurgia e continuei fazendo o tratamento, que ainda faço toda a semana, do contrário, a área fica rígida e a perna fica dormente”, ele conta.

E Tim faz isso como se estivesse brincando. Ele deixa o ferrão no braço e não desperdiça o resto.

“Eu gosto de fazer um lanche apícola”, conta Tim, mordendo uma abelha. “É muito bom, tem gosto de pétalas de rosas com mel”.

As cores intensas e o movimento impresso nas telas dependem dos movimentos do corpo, que Otto de Souza Aguiar luta para manter. O artista plástico, de uma tradicional família carioca, construiu a carreira de pintor nos Estados Unidos, onde vive há 30 anos. Mas há dois meses, Otto está morando em um hotel em Juiz de Fora, para ficar perto de Tim e das abelhas dele.

Já houve sessões em que Otto levou 60 ferroadas. O homem alto, que na juventude chegou a ser modelo no Rio, tem esclerose múltipla há cinco anos e agora está preso a uma cadeira de rodas. Os médicos americanos não deram muita esperança. Disseram que ele teria pouco tempo de vida. E o tratamento em outros países também não deu certo.

“Eu fiz um tratamento em Portugal, depois no México e não tive muito sucesso. E em Juiz de Fora, em um mês, eu senti uma diferença muito grande. Nos movimentos também. Agora eu me mexo tranqüilamente na cama, sem nenhuma dor na coluna”, diz ele. “As picadas de abelha doem um pouquinho. Elas são russas, e sabe como é – as russas são brabas”, brinca Otto.

Enquanto dava a entrevista, Otto continuava com os ferrões nas costas. A bolsa de veneno leva dez minutos para se esvaziar, lançando no organismo as substâncias que aliviam o sofrimento. Ele acredita que a apiterapia vai permitir a recuperação completa.

“Está acontecendo, definitivamente”, comemora Otto.

Ainda é cedo para saber se as abelhas vão mesmo trazer os movimentos de volta. Mas Otto já esboça as novas imagens que sonha em levar para as telas.

“Tenho vários quadros na cabeça esperando meu braço ficar bom. Um deles tem umas abelhas voando”, revela o artista.

Foi correndo atrás da cura que o executivo José Gilberto de Melo, de 62 anos, cruzou com as abelhas. Depois de disputar 19 maratonas, ele foi surpreendido com a noticia de que sofria de arritmia e teve que implantar um marca-passo. Mas, mesmo depois da cirurgia, continuou com o problema, e não suportava os efeitos colaterais dos remédios.

“Eu fiquei meio duvidoso porque nunca tinha ouvido falar em apiterapia. Mas quando a gente precisa, tem que ser retirado do fundo do poço. Aí, eu acreditei. Comecei com média de quatro ou cinco e agora estou com 35”, conta Gilberto.

O executivo, que tem um filho médico, enfrentou barreiras dentro e fora da família quando resolveu fazer o tratamento com abelhas. Mas diz que não se arrepende.

“Faço eletrocardiograma periodicamente e nunca mais tive arritmia, nunca mais tomei remédio nenhum”, garante Gilberto. “Quanto às picadas de abelha, o médico diz que eu sou doido”, conta Gilberto.

O corredor voltou às pistas depois do tratamento e hoje já encara os 21 quilômetros da meia-maratona.

“Quando vejo uma abelha, tenho um orgulho danado de estar vendo algo que a natureza está dando”, diz o maratonista.

Fonte:  http://grep.globo.com/Globoreporter/0,19125,VGC0-2703-1208-3,00.html

As picadas de abelha e a E.M.


O tratamento com picadas de abelhas não reduz atividade da esclerose múltipla (EM), de acordo com estudo publicado em 12 de outubro deste ano na Neurology.

Alguns relatos isolados de casos clínicos mostram que o tratamento com picadas de abelhas em pacientes com EM pode estabilizar a doença. Contudo, não existiam estudos clínicos para justificar sua utilização como alternativa de tratamento na EM. Os investigadores realizaram estudo randomizado, tipo crossover, selecionando 26 pacientes com EM recorrente-remitente e secundariamente progressiva com surtos. A duração do estudo foi de 24 semanas. O grupo experimental recebeu, sob supervisão, picadas de abelhas vivas três vezes por semana. O objetivo primário do estudo foi verificar a influência do tratamento no aparecimento de novas lesões na ressonância magnética (RM) encefálica em T1 com realce pelo contraste. O estudo avaliou também incapacidade, freqüência de surtos e fadiga dos pacientes. O tratamento foi bem tolerado e não houve aparecimento de efeitos adversos graves. No grupo tratado com picadas de abelhas não houve redução do número de novas lesões com realce pelo contraste na RM. Não houve melhora da incapacidade, fadiga e qualidade de vida. Neste estudo, o tratamento com veneno de abelhas em pacientes com EM com surtos não reduziu atividade da doença, incapacidade ou fadiga e não melhorou a qualidade de vida. Wesselius T et al. A randomized crossover study of bee sting therapy for multiple sclerosis. Neurology 2005 Oct 12; 
 
Fonte:  http://www.apemsp.com.br/apem/noticia.php?nt=10

3 comentários:

  1. Olá Alessandra! Ótima a informação, nota 10 mesmo! E muito interessante... uma alternativa que pode se tornar uma "luz" pra muitas pessoas. Parabéns pela iniciativa do Blog! Um abraço, Leo.

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  2. OLÁ PESSOAL!SOU PAULO ROBERTO 39 ANOS TENHO ESCLEROSE MULTIPLA A 4 ANOS E SO DESCOBRI QUE ERA EM A 1 ANO ATRAZ, FAÇO APITERAPIA COM O TIM A 1 ANO E DESDE ENTAO NAO TIVE MAIS SURTOS A FADIGA MELHOROU MUITO, AS DORMENCIAS ACABARAM E NAO TENHO MAIS PAVOR DA EM ,ENCARO COMO UMA DOENÇA QUE TEM UM MODO DE SER CONTROLADA.
    NAO FAÇO USO DE NENHUM MEDICAMENTO.
    GRAÇAS AO VENENO DAS ABELHAS NAO TENHO SEQUELAS.
    AGRADEÇO ADEUS POR TER FEITO AS ABELHAS E AO TIM PELO TRATAMENTO QUE ME PROPORCIONA, HOJE JA FAÇO O TRATAMENTO EM CASA E VOU A JUIZ DE FORA 1 VEZ POR MES .
    MEU EMAIL E :
    paulovrb@hotmail.com
    estou a disposição para quem quizer tirar duvidas sobre a apiterpia.

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    1. Olá Paulo! Realmente há um alívio nos sintomas gerados pela EM ao fazer uso das picadas de abelha. Fiz apiterapia durante 4 meses sob assistência também do Tim, mas a diferença é que além das picadas de abelha também continuei fazendo uso do medicamento que tomo diariamente para controle, que é o Copaxone. A picada de abelha produz cortizona que é usado como anti-inflamátório poderosíssimo, inclusive para EM, principalmente quando administrado em caso de surtos. No meu caso, interrompi o tratamento devido não acostumar com as dores. No momento estou fazendo uso da medicação convencional, faço fisioterapia e musculação e faço um curso de especialização em Parapsicologia do Sistema Grisa, para cuidar também da saúde mental. Também estou à disposição para trocar experiências. alessandrasa2008@hotmail.com. Alessandra

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