sábado, 27 de março de 2010

Autotransplante de células estaminais traz "esperança", para portadores de EM

Lisboa, 02 Fev (Lusa) - O presidente da Associação Nacional de Esclerose Múltipla recebeu hoje com "esperança" a notícia de uma nova técnica testada nos Estados Unidos em pacientes com a doença, baseada num autotransplante de células estaminais hematopoiéticas.

João Casais, que sofre da doença há mais de 30 anos, disse à Lusa que tem acompanhado os avanços das investigações médicas e que, "se fosse possível", ele próprio se candidataria a esta nova técnica.

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crónica do Sistema Nervoso Central que afecta em Portugal cerca de 5.000 pessoas e em toda a Europa 450.000, caracterizando-se por perda da capacidade de controlo da visão, locomoção e equilíbrio, entre outras funções.

"Tenho a doença há 37 anos e já paralisei três vezes, mas só há 18 anos é que ela foi detectada por uma ressonância magnética", afirmou João Casais, 57 anos, a quem os médicos disseram inicialmente que se trataria de um cancro no cérebro.

"Os estudos desenvolvidos com células estaminais são uma esperança e uma boa oportunidade para todos nós", sublinhou.

Segundo um estudo publicado na última edição da revista médica "The Lancet", foi possível estabilizar e até melhorar pacientes com esclerose múltipla em primeira fase através de um transplante de células estaminais autólogas hematopoiéticas, ou seja, susceptíveis de recriar células sanguíneas e provenientes do próprio doente.

Nesta fase da doença, os sintomas são intermitentes e parcialmente reversíveis e a maior parte dos tratamentos consiste na administração de interferon ou esteróides, aos quais alguns doentes não respondem.

Passados 10 a 15 anos nesta fase, a maioria dos pacientes entra numa segunda fase em que se registam alterações neurológicas graduais e irreversíveis.

A equipa de Richard Burt, da Faculdade de Medicina da Universidade de Chicago (REUA), aplicou a nova técnica a 21 doentes em fase 1 da doença que não tinham respondido ao tratamento com interferon, segundo o estudo.

Estes pacientes eram jovens (33 anos de idade média) e sofriam da doença havia cinco anos em média.

Os investigadores transplantaram aos pacientes células estaminais das suas próprias medulas ósseas e, passados três anos, 17 deles tinham melhorado o seu estado, nenhum tinha regredido e nenhum tinha morrido.

O procedimento foi bem tolerado, tendo cinco pacientes sofrido recaídas, mas melhorado depois de nova terapia.

De acordo com os investigadores, a técnica parece "não só prevenir uma progressão da doença, mas inverter o curso da invalidez".

Embora nada garanta que este procedimento erradique a actividade inflamatória a longo prazo, os autores do estudo consideram necessária a continuação das investigações numa maior escala.

Fonte:  http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/405096eac4a3ae21b4caa6.html

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