sexta-feira, 21 de maio de 2010

Informações importantes sobre Esclerose Múltipla

ESCLEROSE MÚLTIPLA


Esclerose múltipla (EM) é uma doença crônica e progressiva que afeta as

fibras nervosas do cérebro e da medula espinhal. As fibras nervosas são

recobertas por uma estrutura chamada mielina, que funciona à semelhança de

um encapamento isolante de um fio elétrico (a fibra nervosa, chamada axônio,

seria o fio de cobre). A finalidade da mielina é facilitar a transmissão dos sinais

elétricos nervosos dentro do sistema nervoso. A mielina é produzida por células

especiais dentro do sistema nervoso chamadas oligodendrócitos.

Na EM ocorre destruição parcial ou total da mielina. A este fenômeno

chamamos desmielinização. Por esta razão a esclerose múltipla é considerada

uma doença desmielinizante. Contudo, existem outras doenças também

chamadas desmielinizantes; a EM não é a única doença com esta característica.

A destruição da mielina é causada por uma inflamação localizada de algumas

fibras. Quando a inflamação acaba, ocorre cicatrização e endurecimento do local

da inflamação (esclerose). Esta área ou região que foi atingida é chamada placa

de desmielinização.

Na Medicina existem várias doenças nas quais a palavra esclerose é

empregada (por exemplo: esclerose lateral amiotrófica, esclerose combinada

subaguda, esclerose mesial temporal) e são todas doenças completamente

diferentes entre si. Assim, a palavra esclerose é motivo freqüente de confusão

sobre os nomes das doenças e do que os doentes, de fato, estão sofrendo. Dizer

que uma pessoa sofre ou é portadora de “esclerose” não significa em si nada. É

importante saber que tipo de esclerose a pessoa possui.

No sistema nervoso central (cérebro, cerebelo, tronco cerebral, medula

espinhal) (SNC) as regiões mais ricas em fibras mielinizadas (recobertas com

mielina) formam o que chamamos de substância branca do sistema

nervoso.Quando ocorre perda da mielina, há um retardo na transmissão dos

impulsos nervosos; dependendo do local que é atingido no sistema nervoso,

podem surgir sintomas ou sinais da doença (por exemplo, perda de força,

amortecimento, dores ou perda da visão).

Diferentes regiões do sistema nervoso podem ser atingidas em tempos

diferentes e os sintomas podem surgir de repente (novo surto), podem piorar, mais

tarde melhorando parcial ou totalmente. Às vezes, a área de inflamação (placa

aguda) pode ser tão intensa, que além da mielina ocorre destruição da fibra

nervosa (axônio). Quando isto ocorre, os sintomas que surgem podem melhorar

embora com maior lentidão e, às vezes, podem ser permanentes (seqüelas). Os

sintomas iniciais são muito variados, dependendo da região do sistema nervoso

que foi afetada. Algumas lesões podem ocorrer em áreas do cérebro que não

produzem sintomas e que serão descobertas somente através de exames como a

ressonância magnética de crânio.

A EM pode ocorrer na forma de ataques agudos (surtos), com melhora ou

redução dos sintomas (remissão) ou surgir e progredir desde o início (forma

progressiva da patologia).

Como exemplos de sintomas podemos citar inflamação do nervo óptico (o

nervo da visão), chamamos isto de neurite óptica. A EM é uma das causas de

neurite óptica, mas várias outras doenças também podem levar à neurite óptica.

Portanto, neurite óptica não é sinônimo de EM! Quando ocorre inflamação da

medula espinhal, chamamos isto de mielite. Novamente, existem várias causas e

tipos de mielite (inflamação da medula espinhal).

TIPOS DE ESCLEROSE MÚLTIPLA

Pode ser classificada de acordo com a freqüência e gravidade dos sintomas

neurológicos nos tipos:

· EM PROGRESSIVA PRIMÁRIA: o paciente não apresenta surtos. Desde o

início da doença os sintomas progridem lenta e continuamente. As queixas

mais comuns são a dificuldade de andar e problemas de controle urinário.

· EM FORMA SURTO-REMISSÃO: ocorrem períodos de surgimento súbito

ou piora dos sintomas neurológicos acompanhados de períodos de melhora

ou mesmo desaparecimento dos sintomas.

· ESCLEROSE MÚLTIPLA PROGRESSIVA SECUNDÁRIA: no início o

paciente apresenta surtos e remissão dos sintomas, mas após alguns anos

passa a ter uma piora lenta e progressiva dos sintomas, com ou sem surtos

associados.

INCIDÊNCIA E PREVALÊNCIA

A EM é uma das causas mais comuns de incapacidade na população adulta

jovem. A sua incidência (número de casos novos por ano) no mundo inteiro é de

cerca de 0,1%. A sua prevalência (número de casos diagnosticados em uma

determinada população) é bastante variável de um lugar para o outro. Por

exemplo, nos Estados Unidos e em alguns países da Europa existem 30 casos

para cada 100.000 habitantes. No Brasil, em especial na região sul e sudeste,

existem cerca de 16 casos para cada 100.000 habitantes.

A EM é mais comum em mulheres e em indivíduos da raça branca. A idade de

início da doença varia de 18 a 35 anos, mas ela pode surgir em qualquer idade,

embora seja muito rara em crianças e em indivíduos de maior idade (> 60 anos).

FATORES DE RISCO E CAUSAS

Não se conhece, até o momento, a causa da EM. Ela é considerada uma

doença auto-imune, ou seja, é causada por uma resposta imunológica anormal do

organismo que passa a reconhecer como elemento estranho os componentes do

próprio sistema nervoso central. Um indivíduo teria uma predisposição genética

(provavelmente causada pela ação conjunta de vários genes), e quando exposto a

algum fator ambiental (p.ex. infecções virais), haveria o desencadeamento desta

resposta auto-imune anormal, que passa a ser permanente (crônica). A ocorrência

maior da doença em certas regiões geográficas sugere que nestas áreas devem

existir fatores do meio ambiente que funcionariam como um gatilho para

desencadear a doença em indivíduos com predisposição.

Por isso, afirma-se que a EM ocorre em pessoas que “podem”, e não nas

que “querem” ter a doença!! Além de não ocorrer em todas pessoas expostas a

um mesmo fator ambiental. Parentes de pessoas em primeiro grau com EM têm

um risco estatístico maior de poder ter EM do que pessoas que não tenham

nenhum parente com EM (este risco estimado é de 4-5%). Porém, a EM não é

uma doença genética no sentido de que passa de uma geração para outra.

Finalmente, este risco maior não é motivo de impedimento para qualquer mulher

ou homem com EM ter filhos, pois o risco é pequeno, semelhante ao risco de

outras complicações também raras que podem ocorrer em qualquer gravidez

normal.

Uma possível exceção seria os casos muito raros, de famílias com vários

membros acometidos por EM. Estes casos incomuns são orientados de forma

diferente, mas não existe um gene único como causa da patologia, como já

exposto anteriormente. Também não existem testes genéticos para saber-se se

uma pessoa irá ter ou não EM numa determinada fase de sua vida.

Exposição a vírus pode desencadeá-la numa pessoa com predisposição

genética. Vários vírus ou outros agentes infecciosos já foram pesquisados como

possíveis causadores da EM (p.ex. herpes vírus, vírus da influenza, Mycoplasma,

Chlamydia, e muitos outros), mas até hoje não foi possível estabelecer uma

relação causa-efeito com nenhum destes agentes infecciosos. Formas de

alimentação ou tipos de dieta também não possuem qualquer relação com maior

ou menor chance de desenvolve-la, aparentemente, nem tampouco influenciam na

evolução da doença.

SINAIS E SINTOMAS

EM caracteriza-se por uma completa imprevisibilidade da freqüência e

severidade dos sintomas. A primeira manifestação da doença geralmente ocorre

entre os 20 e 40 anos de idade, e geralmente os sintomas duram semanas a

meses, muitas vezes com recuperação completa.

Os sintomas iniciais mais comuns incluem alterações sensitivas (p.ex.

formigamentos; alfinetadas; amortecimento; prurido; sensação de aperto em faixa,

luva ou bota; dores em choque nas costas, nos braços ou nas pernas), dificuldade

para andar, dor no olho e perda da visão.

Os sintomas ocorrem dependendo do local do sistema nervoso central que é

atingido. Alguns sintomas mais comuns que podem ocorrer:

1. Dificuldade de equilíbrio (tontura, vertigem, falta de coordenação, tremores);

2. Alterações da bexiga ou do intestino (dificuldade de reter a urina,

dificuldade para urinar, constipação, dificuldade de controlar as fezes);

3. Amortecimento ou dores em choque no rosto;

4. Alterações de comportamento (mudanças bruscas de humor, depressão);

5. Alterações mentais (dificuldade de memória, raciocínio, concentração,

atenção);

6. Alterações motoras (fraqueza muscular, espasticidade, espasmos

musculares);

7. Alterações da função sexual (impotência);

8. Alterações visuais (dor ocular, perda de visão em um olho, visão dupla –

diplopia, movimentos oculares anormais e involuntários – nistagmo).

Assim, pode-se observar que estes sintomas ou sinais não são exclusivos

da EM e podem ser causados por outras doenças bem mais comuns, inclusive.

Também não significa que um paciente com EM irá apresentar todos estes

sintomas. Dependendo de caso a caso, irão surgir mais ou menos sintomas e a

gravidade dos sintomas também é muito variável de um paciente para outro.

Vários pacientes sentem fadiga, uma sensação de cansaço ou astenia

permanente e, às vezes, necessitam de descanso ou mesmo dormir por curtos

intervalos durante o dia para sentir-se melhor. A fadiga não tem relação direta

com outros sintomas.

A fraqueza muscular pode atingir as extremidades (braços ou pernas) ou

um lado do corpo (chama-se hemiplegia), ambas pernas (paraplegia), ou os

quatro membros (quadriplegia). Os músculos de uma região afetada podem

ficar tensos (espasticidade) e contrair-se espontaneamente (espasmos ou

clônus). O aumento da temperatura do corpo (febre, banho quente,

temperaturas elevadas no verão) podem piorar os sintomas ou fazer surgir

outros, de forma transitória.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é baseado na história médica, no exame físico e neurológico,

exames de sangue, ressonância magnética, exame de líqüor, e outros testes

neurológicos.

Exames de sangue: são realizados para excluir outras doenças que possam

produzir sintomas semelhantes neurológicos.

Ressonância magnética: permite visualizar com detalhes o cérebro e a

medula espinhal. Na EM podem-se observar lesões da substância branca,

onde estão as fibras com mielina. Estas lesões podem ou não ficar realçadas

pelo contraste (gadolíneo). Deve-se ter muito cuidado na interpretação dos

achados de alterações em substância branca, pois muitas condições podem

produzir alterações semelhantes e não se trata da mesma. Dependendo da

distribuição, forma e tamanho das lesões da substância branca, elas podem

ser muito sugestivas de EM. Contudo, não existem achados 100% específicos

para a mesma. A correlação destes achados com os demais dados é crucial

para um diagnóstico final preciso!





Figura 1 RM de crânio e medula cervical mostrando lesões de substância

branca em um paciente com EM (flechas)

Exame de líqüor: a punção lombar com coleta de líqüor é realizada para

determinar a presença ou ausência de bandas oligoclonais. A sua presença

indica que existe uma produção aumentada de anticorpos dentro do sistema

nervoso central. Estão presentes em mais de 85% dos pacientes com EM. A

presença de bandas oligoclonais não ocorre exclusivamente nesta patologia. Com

o exame de líqüor também são realizados testes para afastar outras doenças que

possam produzir sintomas neurológicos semelhantes (p.ex. vírus HTLV-1,

produzindo uma doença chamada paraparesia espástica tropical).

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

A EM, principalmente no início, pode ser confundida com muitas outras

doenças como:

1. Doença vascular cerebral (p.ex. infarto cerebral, acidente isquêmico

transitório)

2. Epilepsia

3. Neuropatia (doença dos nervos periféricos, com perda de força e/ou

sensibilidade)

4. Artrose

5. Doença de discos intervertebrais (p.ex. hérnia de disco com compressão da

medula)

6. Tumores

7. Más-formações vasculares do SNC

8. Deficiência de vitamina B12

9. Paraparesia espástica tropical (causada pelo vírus HTLV-1)

10. Neuro-sífilis

Algumas doenças podem causar alterações semelhantes à EM na ressonância

magnética:

1. Lúpus eritematoso sistêmico e outras doenças do colágeno

2. Vasculites (inflamação dos vasos sangüíneos)

3. Doenças virais (p.ex. encefalite, encefalomielite disseminada aguda)

4. Leucoencefalopatia progressiva multifocal (uma doença relacionada à

SIDA)

5. Doença de Leber (atrofia óptica)

6. Adrenoleucodistrofia e leucodistrofia metacromática (doenças metabólicas

congênitas)

TRATAMENTO

O tratamento depende de caso a caso e deve ser cuidadosamente

individualizado. O objetivo do tratamento é melhorar a qualidade de vida do

paciente através do alívio ou melhora dos sintomas causados pela doença, retardo

da progressão da doença o máximo possível, oferecendo o suporte psicológico

necessário. De um modo geral, quanto mais precocemente for iniciado o

tratamento, com duração por tempo indeterminado, melhor será o benefício obtido.

É fundamental uma boa interação médico-paciente para a tomada de decisões

sobre as formas de tratamento e os cuidados necessários. Em situações

individuais, é também fundamental o trabalho em equipe (multidisciplinar) com

outras especialidades (p.ex. fisioterapia, terapia ocupacional).

TRATAMENTO PALIATIVO

Corticosteróides são utilizados nos surtos da EM. Metilprednisolona

(SOLUMEDROL) é administrado via endovenosa, 1,0g - por 3 a 5 dias - seguido

ou não do uso de prednisona (METICORTEN) - por 7 a 10 dias - , em doses

decrescentes em 2-3 semanas e então interrompido. Esta forma de tratamento

chama-se PULSOTERAPIA. Os corticosteróides são geralmente bem tolerados.

Os seus efeitos colaterais podem incluir:

1. Edema (inchaço), provocado pela retenção de líquido;

2. Pressão arterial elevada (hipertensão arterial);

3. Aumento da glicemia (hiperglicemia, aumento de açúcar no sangue);

4. Gastrite e/ou úlcera de estômago;

5. Alterações de humor ou insônia;

6. Risco maior de infecção;

7. Insuficiência cardíaca;

8. Perda de potássio.

Como os corticóides são utilizados somente nos surtos e por pouco tempo,

estas complicações são menos comuns, mas um cuidado maior se faz necessário

em pessoas que já possuam outras doenças como úlcera, pressão alta ou

diabetes. O uso prolongado de corticóides não está indicado na EM, nem

tampouco o uso periódico de metilprednisolona para prevenir surtos.

Outros sintomas específicos são tratados de acordo:

· A espasticidade (aumento do tônus muscular, aumento da rigidez) pode ser

aliviada com relaxantes musculares como baclofen, tizanidina e

benzodiazepínicos. Dores e formigamentos podem responder a

carbamazepina ou gabapentina. Eventualmente associam-se

medicamentos antidepressivos para controle da dor e também para

tratamento da depressão que alguns pacientes sofrem.

· A fadiga crônica pode ser aliviada com o uso de amantidina ou modafinil.

Alterações de equilíbrio ou coordenação e tremores podem beneficiar-se

com diazepínicos (diazepam, clonazepam), propranolol e primidona.

Distúrbios urinários (incontinência, necessidade de urinar muitas vezes e

em pequenas quantidades) podem ser tratados com medicamentos como

oxibutinina e tolterodina. Manobras de esvaziamento da bexiga, sondagem

intermitente ou mesmo cirurgia são indicados em situações individuais. A

constipação intestinal é piorada pela inatividade física e, às vezes, como

resultado de efeitos colaterais de algumas medicações. Dieta rica em fibras,

aumento da ingestão de líquido, exercícios diários e medicamentos

reguladores intestinais podem aliviar a constipação. Exercícios físicos não

são a princípio contra-indicados em pacientes com EM; o tipo bem como a

intensidade dos mesmos são determinados dependendo das condições de

cada paciente. Fisioterapia motora e fonoaudiologia são indicadas conforme

a necessidade individual.

Cada forma de tratamento ou algumas das drogas acima mencionadas são

toleradas ou produzem efeitos colaterais em maior ou menor grau e devem ser

discutidas com o médico atendente.

IMUNOTERAPIA

Esta forma de tratamento tem o objetivo de modular ou modificar a resposta

imunológica que leva ao surgimento dos surtos. A terapia imunomoduladora pode

reduzir o número de surtos e diminuir o surgimento de novas lesões no SNC.

Atualmente dispomos das seguintes medicações:

· Interferon beta-1a (AVONEX, REBIF)

· Interferon beta-1b (BETASERON)

· Acetato de glatiramer (COPAXONE)

A tabela 1 mostra a características de cada medicação

Nome comercial Dose Administração Freqüência

AVONEX 30 mg intramuscular Uma vez/semana

REBIF 22 e 44mg subcutânea Três vezes/semana

BETAFERON 250 mg subcutânea Dias alternados

COPAXONE 20mg subcutânea Diariamente

Os sintomas colaterais dos interferons (AVONEX, BETAFERON, REBIF)

são sensação de gripe (mal-estar geral, dores musculares, dor de cabeça, febre) e

reação no local da injeção (dor, vermelhidão local, inchaço local). Existe uma série

de medidas para minimizar estes efeitos colaterais como analgésicos (p.ex.

paracetamol) antes da aplicação, deixar a medicação em temperatura ambiente

antes da aplicação e uma série de outras orientações que serão fornecidas pelo

médico para a melhor adaptação ao tratamento. Os efeitos colaterais de

COPAXONE incluem dor e reação cutânea no local da injeção, sensação de

aperto no peito e batimentos cardíacos mais rápidos.

Geralmente ocorre diminuição dos efeitos colaterais com o passar do tempo

e cada paciente apresenta mais ou menos efeitos colaterais, individualmente.

Exames de sangue são solicitados periodicamente para segurança de que não

estejam ocorrendo reações indesejáveis ao medicamento no organismo (queda de

glóbulos brancos, reação do fígado).

Alguns pacientes não respondem bem ao tratamento com as medicações

acima citadas; seja por efeitos colaterais insuportáveis, apesar de todos os

cuidados, ou por continuarem a apresentar surtos ou progressão da doença. O

mitoxantrone é um quimioterápico que pode ser utilizado em pacientes de forma

intermitente ou progressiva secundária. Esta medicação é feita via endovenosa,

sem necessidade de internamento, a cada 3 meses. O fator limitante de seu uso é

a dose cumulativa, não devendo ultrapassar 140 mg/m2, ou caso, durante o

tratamento, surgirem indícios de comprometimento do músculo cardíaco (esta

medicação é potencialmente tóxica ao miocárdio).

Pacientes com formas muito graves, apresentando muitos surtos e sem

resposta a pulsoterapia e terapia com imunomoduladores, podem ser candidatos a

plasmaferese (uma espécie de filtragem do sangue, para retirada de anticorpos) e

aplicação de ciclofosfamida, um quimioterápico, em altas doses.

Finalmente, alguns estudos mostraram um resultado benéfico com o uso de

gamaglobulina hiperimune endovenosa, uma aplicação endovenosa mensal de

500 mg/Kg de peso, por tempo indeterminado. Contudo, há necessidade de

estudos adicionais para comprovar o real benefício desta forma de tratamento, e

estes já se encontram em andamento.

Atualmente estão sendo testadas várias medicações novas com modos de

ação diferentes, mas ainda não temos os resultados finais destes estudos em

andamento. Para comprovar-se a eficiência de um tratamento na EM é necessário

um número grande de pacientes e estes devem ser acompanhados por um longo

tempo, devido às próprias características da EM por possuir um curso clínico

individual muito variável.

O transplante autólogo de medula óssea não apresenta indicação clínica

atual como forma de tratamento definitivo e é um procedimento considerado em

fase de pesquisa e com elevado índice de mortalidade (cerca de 15%, variando de

centro para centro de transplante de medula óssea).

PSICOTERAPIA

As alterações causadas pela EM no SNC e o impacto social e psicológico da

descoberta de ser portador de uma doença sem causa conhecida e de prognóstico

incerto resultam muitas vezes em alterações psico-emocionais e depressão em

muitos pacientes. Grupos de suporte e aconselhamento ou mesmo o uso de

antidepressivos podem ser muito úteis. Deve-se ter muito cuidado com

informações obtidas de fontes pouco conhecidas propondo tratamentos

“alternativos”, muitas vezes com o único intuito de explorar a boa fé das pessoas e

obter benefícios financeiros. Converse sempre com o seu neurologista sobre

qualquer nova informação. A interação médico-paciente para resolver dúvidas e

discutir formas de tratamento é fundamental para o bem-estar e segurança do

paciente.

Esclerose múltipla

Tratamentos inefetivos

Anticoagulantes

Anti-histamínicos

Isoniazida

Dieta sem glúten

Veneno de cobra,

abelha

Dieta crua

Aloe vera

Lecitina, vitaminas

Óleos graxos marinhos

Timectomia

Tuberculina intratecal

Derivados de ergot

Papaverina

Bloqueadores de

cálcio

Quelação

Histerectomia

Acupuntura

Oxigênio hiperbárico

Existem órgãos nacionais de apoio e informação sobre a doença:

Associação Brasileira de Esclerose múltipla - www.abem.org.br

BCTRIMS - www.bctrims.org.br

REABILITAÇÃO

Fisioterapia motora, terapia ocupacional e tratamento fonoaudiológico

podem ser indicados em casos individuais. A fisioterapia motora tem por finalidade

melhorar a força muscular, diminuir as dores e espasticidade, melhorar o equilíbrio

e a marcha. Alguns pacientes poderão ter a necessidade de utilizar órteses (p.ex.

bengalas, tutores) para otimizar seus movimentos.

Terapia Ocupacional

Aumenta a independência funcional para exercer as atividades cotidianas,

do dia a dia. Adaptações no meio de trabalho ou no lar são feitas de acordo com

as necessidades de cada um.

Fonoaudiologia

Auxilia a melhorar a articulação da fala (disartria) ou dificuldade de engolir

(disfagia) que alguns pacientes podem apresentar.

PROGNÓSTICO

A maioria dos pacientes com EM tem uma vida diária normal e uma

expectativa de vida semelhante à população geral. Depois de 25 anos de doença,

2/3 dos pacientes continuam a locomover-se. A doença pode provocar graus

variáveis de limitações físicas em até 70% dos portadores.

PREVENÇÃO

A EM não pode ser prevenida no momento.

Dr. Walter Oleschko Arruda

CRM 7829 – Neurologia

Instituto de Neurologia de Curitiba

55-41-3028-8545

arruda@inc-neuro.com.br

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